Conversa com Shark

Lucas "Shark" Nelli fala sobre sua história no bodysurf, handsurf, planos e competições

Foto: Luiza Sampaio

Pra começar, como surgiu o apelido Shark?

Essa é uma pergunta que eu gosto muito de responder, porque sou adepto do Xamanismo Indígena e sempre me conectei com os animais de poder. Em 2014, sonhei com tubarão 2 vezes na mesma noite e no dia seguinte, durante o surfe em um mar bem barrento, um tubarão galha preta de mais de 2 metros pulou na minha frente, saiu inteiro da água, provavelmente atrás de alimento. Fiquei muito assustado e sem entrar no mar por semanas. Nessa pausa comecei a fabricar pranchas de handsurf com formato de tubarão e tive mais um sonho onde o tubarão me convidava a entrar no mar, dizendo pra sempre ter respeito, afinal aquela era a casa dele!
Depois disso muitas portas se abriram: viajei pela primeira vez de avião, logo pra Fernando de Noronha (sonho realizado) onde conheci o Pistilli (Homem Peixe) e comecei a trabalhar com ele na IMUA; competi em diversos estados brasileiros e surfei no campeonato de bodysurf e handboard Punta Negra – Perú. Mas foi no Whooze Itacoa Legends que o Lucas Sawaya (organizador do evento), depois de conhecer essa história, começou a dizer que eu precisava de um nome de atleta e passou a me chamar de Sharkman, que se transformou em Shark.
Pra mim é uma honra carregar esse nome em todos os eventos e hoje sinto que caminho lado-a-lado com a energia desse grande protetor dos mares!

Como você conheceu o bodysurf?

Desde muito novo eu sempre brinquei de pegar jacaré, dropando a onda sempre em linha reta na espuma até a beira, sempre com os dois braços pra trás. Quando eu me tornei salva-vidas tive mais contato com a praia no meu dia-a-dia, comecei a entender que o bodysurf era um esporte e comecei a me dedicar na modalidade!

Como foi seu começo na modalidade e a decisão de se tornar atleta?

Comecei em 2012, na Praia de Ipitanga, no município de Lauro de Freitas (Bahia), quando o meu amigo já falecido PaiBoy trouxe uma prancha de Handsurf das antigas pra praia e eu experimentei pela primeira vez como era surfar a parede de uma onda com o meu próprio corpo. Depois desse dia passei a praticar as duas modalidades (bodysurf e handsurf) com bastante frequência.
Eu sempre fui atleta, mas nunca levei nada muito a sério, até que cheguei aos 27 anos e achei que não seria mais atleta. Quando o bodysurf e o handsurf surgiram na minha vida, percebi que tinha potencial e que era hora de ser um atleta mais dedicado.

Hoje você está mais focado no Handsurf, certo? Qual o motivo da decisão?

Exato, eu sempre surfei as duas modalidades de forma muito equilibrada e nos campeonatos sempre disputava as duas categorias, mas depois de uma lesão no ombro esquerdo, comecei a me sentir inseguro no Bodysurf, já a handplane deixa o meu ombro esquerdo mais protegido e consigo dar o meu melhor na onda sem medo de lesão. Mas estou voltando aos poucos com o bodysurf, fortalecendo meu ombro e voltando aos campeonatos!

Como é a sua rotina, como você tem treinado para os campeonatos?

Acordo cedo todos os dias, bebo uma água morna com limão pra limpar o organismo e faço meditação cerca de 4 vezes por dia. O meu treino consiste em alongamentos e exercícios de ativação dos músculos e articulações, um pouco de bodysurf-yôga e depois é tempo água!
Eu não me cobro pra fazer treinos específicos, tento ir pro mar sempre que posso e procuro aproveitar o máximo das ondas, independente da condição do mar. Pra mim esse é o segredo do treino pra quem gosta de participar de campeonatos, porque nunca se sabe como o mar vai estar no dia do evento.

O que é esse “tempo água”?

Tudo na vida aprendemos praticando, se queremos atingir o objetivo de dançar bem, precisamos usar o nosso tempo pra aprender ritmo e dançar sempre que for possível, quanto mais você dançar mais ritmado você vai ser. Assim também é no bodysurf: quanto mais tempo você passa no mar, conhecendo as suas diversas faces, mais integrado você fica, e o que um dia foi difícil, logo se torna fácil.

Conta sobre uma onda inesquecível que surfou.

Ahhh, a onda inesquecível é sempre a última! (risos) A onda da Cacimba do Padre é inesquecível e dá saudade só de lembrar. As direitas de Bawa Bomb na Indonésia também não saem da memória. As esquerdas de Senhoritas no Perú foram as ondas mais extensas que eu já surfei na vida e pra mim é a que mais sou fã!

Teve algum perrengue que você passou no mar?

No campeonato na praia de Explosivos, no Peru: ondas de 3 metros, fechadeiras e séries de 6 a 8 ondas. Tomei uma vaca que tentei subir pra respirar umas 3 vezes e não tive sucesso, achei que não ia conseguir e quando finalmente consegui respirar fiquei 5 minutos descansando durante a bateria final.

Qual é o seu maior sonho em relação ao esporte bodysurf e handsurf?

Quero que o esporte tenha a visibilidade que o surfe de prancha tem hoje, que os atletas sejam valorizados nos eventos e que as grandes marcas apoiem atletas financeiramente, para que ele possam se dedicar à carreira de atletas com todo o suporte. Mas sabemos que essa não é a realidade do nosso país. Eu agradeço muito aos meus patrocinadores, Kpaloa e Tubarão Handboard, por me fornecerem equipamentos para a prática do esporte.

Fala sobre o seu trabalho atual, seu papel na IMUA, como está hoje?

Hoje eu sou sócio-administrador e facilitador do mar, focando a minha energia em imersões de 4 dias com foco em autoconhecimento, desenvolvimento humano, performance, meditação, respiração, apneia e xamanismo. Por sinal, depois de 2 anos de pandemia, finalmente vamos poder voltar com as programações de imersões, em maio de 2022. Para mais informações é só entrar no nosso site ( escoladomar.com ) ou entrar em contato comigo no Instagram @shark_nelli ou @imuanoronha

Aloha Lucas, deixa uma mensagem chamando a galera pra fazer parte do nosso mundo bodysurf.

Aqui fica o convite pra todos que querem ingressar no esporte ou simplesmente movimentar o corpo de uma forma instintiva e divertida, para fluir da melhor forma nas ondas, sejam elas no mar ou na vida! É assim que eu sinto o esporte, vem pro Mundo Bodysurf!

Similar Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.